SAÚDE PSÍQUICA NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

Donald Woods Winnicott pediatra, psicanalista e psiquiatra inglês, foi membro da UNESCO e do grupo de experts da OMS.
Em 1927 Winnicott foi aceito como iniciante na Sociedade Britânica de Psicanálise, qualificado como analista em 1934 e como analista de crianças em 1935.
Winnicott sempre defendeu a importância nos cuidados com a saúde psíquica no primeiro ano de vida da criança. Afirmava que não é suficiente que a mãe apenas cuide do seu filho com a intenção de realizar as atividades corriqueiras, como alimentar, dar banho e trocar as fraldas, é de suma importância que ela perceba e sinta às necessidades do bebê para que possa conduzir essas tarefas com mais apreço e concentração.
Um dos momentos cruciais, que pode impactar na formação de uma criança é a amamentação. Quando o bebê olha diretamente nos olhos da mãe e esta lhe retribui com olhar carinhoso e materno, é neste precioso ato, cheio de significado psíquico, que o bebê consegue se ver e se entender. Se a mãe lhe sorri, ele também sorri, se o olhar da mãe é doce e cheio de carinho, assim também será o olhar deste pequeno e indefeso ser humano. Sobre essa questão Winnicott (1979/1983) afirma que; ao olha-lo ela se oferece como espelho no qual o bebê pode se ver.
E dessa relação saudável vem as bases para o desenvolvimento emocional da criança nos próximos anos de vida.
“olho e sou visto, logo existo! E posso agora, permitir-me olhar e ver […]; ocultar-se é um prazer; porém não ser encontrado é uma catástrofe”
Winnicott ( 1971)
Referente ao imaginário de como poderia ser o pensamento de uma criança em relação a sua mãe
Reinaldo Nunes – Psicanalista
DIALOGO: A PONTE PARA RECOMEÇOS

Diálogo: A Ponte para Recomeços
Na última década, a busca de casais por acompanhamento psicanalítico já vinha crescendo de forma constante e após o longo período de pandemia, esse movimento se intensificou ainda mais. As tensões acumuladas, as mudanças na rotina e os desafios emocionais trouxeram à tona conflitos que, muitas vezes, estavam apenas adormecidos.
Quando procurar terapia de casal
O momento ideal para iniciar uma terapia de casal não precisa ser aquele em que tudo já parece perdido. Ao contrário, quanto mais cedo o casal percebe que a comunicação está se tornando difícil, que os conflitos se repetem sem solução ou que o vínculo afetivo está enfraquecendo, mais eficaz pode ser a intervenção terapêutica. A terapia não é apenas um recurso para evitar separações ela também pode fortalecer a relação, aprofundar o diálogo e ajudar os parceiros a se reconectarem emocionalmente. Buscar ajuda não é sinal de fracasso, mas de maturidade e disposição para cuidar da relação.
O papel do psicanalista
É importante destacar que o papel do psicanalista não é apenas mediar conversas, mas observar as condutas inconscientes que se manifestam na dinâmica do casal. O objetivo é compreender como uma rotina tóxica se instalou e avaliar se ainda é possível resgatar a convivência e reconstruir um diálogo saudável entre os dois.
Dialogo saudável: o início da solução
Um dos primeiros passos recomendados é que o casal se comprometa a restabelecer uma comunicação respeitosa e empática, mesmo que ela já esteja bastante comprometida. Vale lembrar que resgatar o diálogo não significa abrir espaço para acusações mútuas ou apontar falhas como se fossem provas em um tribunal. O foco deve estar na escuta, na compreensão e na disposição para reconstruir pontes.
Empatia para ouvir
Ouvir com paciência é uma habilidade essencial, especialmente em momentos de conflito. Muitas pessoas têm dificuldade para se expressar sob pressão, e por isso é fundamental prestar atenção não apenas nas palavras, mas ao que pode estar sendo dito nas entrelinhas. Desenvolver a escuta ativa é possível para qualquer pessoa e ela começa com a intenção genuína de compreender o outro.
Para que haja um entendimento real, é necessário se colocar no lugar do outro, ser sincero sobre o que se pensa e sente, e manter o silêncio verbal enquanto o parceiro expõe suas ideias e emoções. O diálogo verdadeiro nasce da disposição de ouvir sem interromper, sem julgar, e sem tentar vencer uma disputa.
Reinaldo Nunes
Psicanalista
Instagram: @reinaldonunespsi